Comunidade Emanuel: “não há liberdade maior que a de se deixar guiar pelo Espírito”

O papa exorta à “fazer descobrir… a Misericórdia de Deus”

“Não há maior liberdade que a de se deixar guiar pelo Espírito e de lhe permitir nos iluminar e nos conduzir para onde ele quer”, afirmou o Papa Francisco diante de aproximadamente 500 membros da Comunidade Emanuel que ele recebeu em audiência privada no último dia 07 de abril de 2018, na Sala Clementina do Vaticano. Ele também os exortou “a guardar o coração este ardente desejo de transmitir a alegria do Evangelho àqueles que o ignoram ou que estão longe” e a “fazer descobrir aos homens de nosso tempo… a Misericórdia de Deus”.

Esta audiência aconteceu no final do encontro sacerdotal anual dos padres da Comunidade Emanuel durante da oitava da Pascoa, primeiro encontro como “Associação Clerical da Comunidade Emanuel”, cujos estatutos foram promulgados no final de 2017.

Participaram deste evento 480 pessoas, entre eles 3 bispos, uma centena de padres, uma dezena de diáconos, umas trintas consagradas no celibato e leigos solteiros e famílias, com em torno de 50 crianças.

O papa os agradeceu por sua fidelidade e sua “união com o Sucessor de Pedro”, saudou seu « engajamento missionário, atualmente presente em todos os continentes”. Ele encorajou a Comunidade à “perseverança no futuro” e a “guardar uma ligação, cada vez mais estrita com a realidade rica das paróquias onde seus membros vivem”.

“O carisma da Comunidade Emanuel está inscrito em seu nome, Emanuel, Deus Conosco, prosseguiu o papa. E isso acontece essencialmente na contemplação do mistério da encarnação, particularmente na adoração eucarística (silenciosa) que nos impulsiona ao dinamismo missionário para anunciar a boa nova a todos aqueles aos quais Jesus oferece sua amizade.”

Durante esta audiência o papa convidou: “Lá, onde vossa Comunidade estiver presente que a Misericórdia do Pai seja sempre manifestada, em particular em relação aos mais pobres – de coração ou de corpo –  curando suas feridas pela consolação do Evangelho, pela solidariedade e atenção.”

A Comunidade Emanuel nasceu em 1972 em Paris (França) pela iniciativa de Pierre Goursat (1914-1991) e de Martine Laffitte-Catta, sobre a base da experiência de um grupo de oração da Renovação Carismática.  Reconhecida pela Santa Sé como uma associação pública de fiéis, a comunidade conta hoje em dia com 11.500 membros espalhados em 67 países sobre os 5 continentes, entre eles 265 padres e 200 consagradas e consagrados.

Anne Kurian, Zenit, França

Tradução:  Maria Martha

 

Íntegra do discurso do Papa Francisco:

Caros amigos,

Eu estou muito feliz de vos receber pela ocasião de vosso encontro anual que se desenvolve este ano em Roma. Esta peregrinação é o sinal da plena participação da Comunidade Emanuel na comunhão de toda Igreja católica.

É também ocasião para mim de vos agradecer por vossa fidelidade e vossa união ao Sucessor de Pedro, de vos falar da apreciação que eu tenho sobre vosso compromisso missionário agora presente em todos os continentes, e de vos encorajar a perseverança para o futuro. Este futuro é de agora em diante marcado pelo recente reconhecimento da associação clerical da Comunidade Emanuel no último 15 de agosto, estrutura oportuna em razão das numerosas vocações sacerdotais que o carisma do Emanuel suscita e por uma maior fecundidade de evangelização.

Longe de isolar os padres dos outros membros comunidade, leigos ou consagrados,  eu expresso o desejo que esse reconhecimento vitalize ao contrário, esta bela comunhão dos estados de vida ao qual vocês fazem a experiências depois de 40 anos, na complementariedade das diversas vocações.  Eu convido também vossa comunidade a guardar uma ligação sempre mais estreita com a realidade rica da paróquia do lugar onde vivem e que se integrem voluntariamente nas pastorais orgânicas da Igreja Particular (cf. Evangelii Gaudium N.29).

O carisma da Comunidade Emanuel é inscrito em seu nome, Emanuel, Deus conosco. É essencialmente na contemplação do mistério da Encarnação, em particular na adoração eucarística, que vos impulsiona ao dinamismo missionário para anunciar a boa nova a todos aqueles aos quais Jesus oferece sua amizade. Eu vos encorajo a ajudar os homens de nosso tempo a descobrir os homens, em toda parte onde o Espírito vos envia, a Misericórdia de Deus que nos amou ao ponto de morar entre nós.

Esta Misericórdia do Senhor, sempre presente para seu povo, pede para ser proposto com um entusiasmo novo e por meio de uma pastoral renovada a fim de que ela penetre o coração das pessoas e os incite a retornar o caminho do retorno ao Pai (cf. Misericordiae Vltus n. 15).

Que lá, onde vossa comunidade está presente, a Misericórdia do Pai seja manifesta, particularmente para com os mais pobres – de coração ou de corpo – cuidando suas feridas pela consolação do Evangelho, pela solidariedade e atenção (ibid).

Caros amigos, a Comunidade Emanuel manifestou, desde suas origens, um real dinamismo para anunciar a Boa Nova de maneira viva e alegre. Eu vos exorto a permanecer enraizados no Cristo por uma sólida vida interior e confiante no Espírito Santo que vem em socorro de nossa fraqueza e que nos cura de tudo aquilo que enfraquece nosso compromisso missionário; a guardar no coração este ardente desejo de transmitir a alegria do Evangelho àqueles que o ignoram ou estão longe; a serem plenamente atores desta “Igreja em saída” que eu chamo de meus votos. “A Igreja conta com vocês, com vossa fidelidade à Palavra, sobre vossa disponibilidade ao serviço e sobre o testemunho de vida transformados pelo Espírito Santo” (noite de Pentecostes 03 de junho de 2017).

Com vocês eu rendo graças para todo o caminho que eu vocês percorreram sob o movimento do Espírito Santo que quer que nós estejamos sempre em caminho, e eu vos convido a sempre permanecer a sua escuta porque não há liberdade maior que de se deixar guiar pelo Espírito e de Lhe permitir nos iluminar e nos conduzir lá onde Ele quer.

Eu vos confio a todos a intercessão da Virgem Maria e lhe peço de guiar vossos passos e de sustentar vossos esforços.

E eu vos dou a Benção. E por favor, não esqueçam de rezar por mim.

 

Mensagem do Moderador e do responsável pelos Padres da Comunidade Emanuel:

Laurent Landete (moderador da Comunidade)

Santo Padre,

Nós somos profundamente agradecidos por aceitar nos receber nesta audiência. Nosso grupo é constituído de bispos, padres e leigos da Comunidade Emanuel vindos da Europa, África, América, Ásia e Austrália.

A Comunidade Emanuel foi fundada em 1972 em Paris por Pierre Goursat, um leigo adorador e evangelizador, transbordante de compaixão para os mais pobres e aqueles que sofrem, ele mesmo sendo doente e vivendo muito pobremente.

Aos 58 anos, ele fez a experiência da “Efusão do Espírito Santo”. Tocado pelo sopro do Concilio Vaticano II, ele percebeu a urgência de formar uma nova geração de leigos e de padres, testemunhos entre eles de uma autêntica comunhão para a missão. Ele compreendeu que os clericalismos, assim como as ambições de poder dos leigos, constituíam uma deficiência para a evangelização de nossas sociedades modernas. Ele tinha o hábito de dizer: “nós somos pobres tipos, somos pequenos: o único caminho para Deus é a humildade”

Ele não temia ir contra a corrente. Seu testemunho pessoal e sua criatividade permitiram suscitar, ainda hoje, numerosas obras originais: na cooperação, próxima dos países pobres; nas periferias difíceis majoritariamente mulçumanas; próximo dos casais; próximo dos jovens; no diálogo com as culturas; nas mídias e no cinema; no mundo universitário e no mundo do trabalho, a fim de fazer brilhar o ensino social da Igreja. Ele se uniu ao Pai em 1991 e seu processo de canonização foi aberto.

A Comunidade Emanuel é uma Associação de fiéis, que reunimos todos os estados de vida, para adorar, exercer a caridade e evangelizar juntos.

 

Padre Henri-Marie Mottin (responsável pelos Padres)

Santo Padre,

Mesmo que alguns o tenha encorajado sobre esta via, Pierre Goursat não se tornou padre. Ele tinha percebido que o chamado de Deus para ele se encontrava num compromisso pessoal mais humilde possível, numa consagração pelo reino vivendo no mundo.

No entanto, ele soube acompanhar, com discernimento e encorajar com uma grande esperança, as primeiras vocações sacerdotais que nasceram, desde o início da Comunidade Emanuel.

Alguns estão aqui, entre nós hoje como padres ou como bispos! E nesta mesma hora, está sendo ordenado padre Charles, um dos nossos jovens irmãos dos Camarões… ele me suplicou de vos recomendar vossas orações.

Eu gostaria, como responsável dos ministros ordenados e dos seminaristas da Comunidade Emanuel evocar alguns eixos fundamentais que animava a visão de Pierre Goursat sobre o sacerdócio.  Primeiramente, a perseverança no desejo de santidade. Por outro lado, como leigo, Pierre Goursat tinha percebido o perigo do individualismo na vida sacerdotal. Enfim, como comprometido no celibato pelo Reino, Pierre Goursat tinha uma grande estima pela gratuidade do Dom de si a Deus e aos irmãos.

Santo Padre, eu gostaria aqui, como padre, vos testemunhar minha grande alegria de viver uma fraternidade missionária com famílias, celibatários pelo Reino, solteiros e com meus irmãos no sacerdócio.

No último dia 15 de agosto, a Congregação para o Clero erigiu uma Associação clerical reunindo os padres, os diáconos e os seminaristas da Comunidade Emanuel. Esta associação é indissociavelmente unida a Comunidade Emanuel. Esta decisão é para nós a expressão da confiança que a Igreja nos concede, confirmando a comunhão dos estados de vida desejado pelo nosso fundador. Nós estamos profundamente reconhecidos.

 

Laurent Landete

A data fixada para esta audiência é providencial: de fato, hoje, 07 de abril de 2018, celebra-se o vigésimo quarto aniversário do assassinato de Cyprien e Daphrose Rugamba, com seus seis filhos, por ocasião da tragédia do genocídio em Ruanda, em 1994. Este casal, amigo dos pobres – fundadores da Comunidade Emanuel em Ruanda – sempre recusaram a colaborar como escândalo das divisões étnicas.  Até a oferenda de suas vidas, eles foram testemunhas da enculturação da misericórdia sobre esta terra africana. Eles permanecem um modelo confiável para a reconciliação deste povo e bem além. Seu processo de canonização está em curso.

Nesta véspera da festa da Misericórdia, nós viemos renovar o dom de nós mesmos ao Cristo, assim como a nossa unidade com a Igreja e a vossa pessoa. Nós desejamos nos “deixar instruir” pelas vossas palavras afim de receber o dom de uma linguagem que os pobres compreendam e “ que reconforte aqueles que não podem mais…” (Is 50, 4)

Nós gostaríamos de vos dizer muito simplesmente obrigado pelo vosso chamado eloquente para sairmos para as periferias e acompanhar a humanidade sofredora. Obrigada pela vossa insistência para sustentar as famílias. Obrigado pela vossa encíclica Laudato Si, que ilumina nossos louvores e sacode nosso modo de vida.

A vosso exemplo, nos renovamos hoje, nosso compromisso de servir os pobres!

Santo Padre, o senhor pode contar conosco!

O senhor pode também contar com nosso trabalho de comunhão com nossos irmãos ortodoxos e evangélicos que em breve crescerá por meio de nossa contribuição ao movimento Joao 17, que o senhor conhece.

Como bispo de Roma, o senhor pode contar sobre a nossa alegria de testemunhar a beleza do Evangelho no Santuário da Trinité des Monts, que nos foi confiado.

Pedindo vossa bênção apostólica, nós nos confiamos a vossa oração, afim de recebermos um novo ardor missionário, na escuta das diversas culturas do mundo.

Santo Padre, nós vos confiamos humildemente a proteção materna da Virgem Maria.

 

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