Depoimento

Poucas coisas nos tocam profundamente, e no meio de tanto caos, muitos sentimentos nos confundem. Jesus veio até mim para mostrar o verdadeiro, autentico e mais puro sentimento que existe e perdura até o fim. O amor.

Nasci no interior de uma cidade do Rio Grande do Sul- Brasil, cidade pequena, campo, lagoa. Em uma família tradicional, cercada por avós, tios, primos, pai e mãe. Mantínhamos as tradições que aprendemos, fui batizada com pouco menos de um mês de vida dia 11 de setembro se assim não me falha.

E criada até os 12 anos pelos meus pais. Aos 12 anos de idade em uma pré-adolescência tranqüila, uma virada de rumo se tomou em minha vida e meu mundo de cidade tranqüila e de interior já não era mais o mesmo. Meu pai decidiu sair de casa, assim rompendo os laços de família tradicional.

E em meio a tanta magoa deixada por ele naquele tempo, aquele amor citado ali em cima não me fazia sentido algum. Pelo contrário, era palpável a sua inexistência. A partir de então fui criada pela minha mãe que se dividia entre trabalhos diretos turnos dobrados, contas atrasadas e irmão menor para cuidar.

Tivemos um grande apoio familiar nessa nova transição que para mim era muito estranha. Como se vive sem um pai? Criando ainda uma identidade própria, não sabia ao certo o que era certo. Mas minha mãe insistia que fossemos a igreja, que rezássemos e que mantivéssemos a tradição.

Não fazia muito sentido naquela época. Mudamo-nos de cidade alguns anos depois, e com meu crescimento físico vinha também o meu espiritual. Uma sede muito grande me invadia por respostas… E inquieta me fui, observava bastante, escrevia muito, meus papeis com desenhos e poemas eram onde eu encontrava algumas respostas, e fui conhecendo pessoas incríveis, verdadeiros instrumentos de Deus que me orientavam e me faziam chegar cada vez mais perto daquele amor que eu jurava não existir.

Com 25 curtos anos de idade, sinto que já percorri vários caminhos, alguns talvez pudessem ter sido evitados se eu não tivesse com os olhos tão voltados para as coisas do mundo. Mas o que mais me motiva a caminhar ao encontro Dele, é que Ele realmente não se importa por onde eu andei, e sim que eu estou indo ao Seu encontro, sem pressa, no tempo Dele inteiramente para Ele.

Esse meu caminho de volta, de retorno, de reencontro no qual eu percorro hoje e que com certeza será o mais lindo de todos independentes de quantas provações eu passe, começou quando me mudei de minha cidade pequena, para a grande capital do estado. Cachoeirinha é uma cidade vizinha de Porto Alegre que compõe a região metropolitana do RS.

Mudei-me aos 22 anos (2013) devido a um emprego novo que aceitei, deixei mãe, irmão e família. Meu pai eu já havia deixado aos 12. E freqüentando uma paróquia perto de minha casa encontrei em uma noite de inverno sem muita expectativa e muita visão do que estava acontecendo, um pequeno chamado para algo que realmente mudaria minha vida. Conheci a Comunidade Emanuel em 2014, através de grandes amigos que Deus me deu nesta nova cidade, neste novo lar. Nessa paróquia existe um projeto (grupo), Jovens do Emanuel, voltado para as pessoas que desejam conhecer os carismas da Comunidade.

E foi nesse meio que Jesus me encaixou para conhecer o Seu amor, aquele que eu tinha esquecido e me afastado, ou melhor, nem conhecido. A proximidade que os louvores, as adorações, as partilhas e ensinos que os encontros me proporcionaram desse Jesus humano e ao mesmo tempo Deus, me fizeram despertar e abrir os olhos pra algo que é muito maior que tudo que nos cerca, pois está em tudo que nos cerca. Há um ano dei meu passo de acolhida e discernimento na comunidade e venho conhecendo e aprendendo cada dia mais a ouvir meu chamado e estar disponível à Cristo assim como ele sempre esteve por mim. Um dos frutos concreto desse meu aprendizado foram o conhecimento e a vivência do perdão, que é a porta para todas as reconciliações. E pude vivenciar isso com meu pai depois de 13 anos. Algo que jamais conseguirei esquecer.

Esses dias, eu ouvi no trabalho que as pessoas não são más, elas só estão perdidas. Pensando profundamente nisso, concordei. Eu estava perdida. Só precisei encontrar meu caminho de volta. E provar do Amor que nunca mais me deixará ir.

Cheila Azevedo Gonçalves, de Cachoeirinha-RS, em etapa de acolhida e discernimento na Comunidade Emanuel.

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