Notícias › 04/09/2017

Em livro-entrevista, sociólogo francês traça perfil inédito do Papa

O sociólogo francês Dominique Wolton lançará um livro nesta quarta-feira, 6, cujo personagem principal é o Papa Francisco. No livro-entrevista, batizado “Papa Francisco: Encontros com Dominique Wolton, Política e Sociedade”, o Santo Padre discute temas como o aborto, casamento, abusos sexuais, migrações ou a influência das mulheres em sua vida.

Alguns trechos do livro, que foi composto ao longo de dois anos, foram publicados pelo jornal francês Le Figaro.

Com relação ao aborto, o Papa reforça que se trata de um pecado grave e que deve levar as pessoas a procurar pelo perdão.

Quanto ao casamento, Francisco afirma se tratar da união entre um homem e uma mulher apenas, e que a união entre pessoas do mesmo sexo sejam reconhecidas como “uniões civis”.

“Não brinquemos com a verdade”, advertiu o Papa com relação à ideologia de gêneros.

Com relação aos refugiados e migrantes, Francisco os compara a Jesus Cristo, que também fora perseguido, segundo relatos da Bíblia.

No livro, o Papa ainda se lembra de quando o Velho Continente explorou locais como a África, por exemplo, deixando-os à mercê de guerras e muitas pessoas sem trabalho. A este respeito, o Papa rejeita a expressão “guerra justa”, por considerar que a única solução justa é a paz.

Quando se trata dos abusos sexuais contra menores perpetrados pelo clero, o Papa é categórico em seu discurso: o padre abusador “está doente”. Francisco ainda tece elogios ao pontificado de Bento XVI, que teve coragem de “enfrentar o problema”.

Outro assunto tratado no livro é a influência das mulheres na vida do Santo Padre, desde sua avó até “pequenos namoros” que tivera em sua vida, bem como consultas a um psicoterapeuta entre 1978 e 1979, quando o então padre Jorge Mario Bergoglio tinha 42 anos. “Ela era muito boa, muito profissional e me ajudou muito”, revelou.

Com relação à sua formação política, Francisco revela que uma mulher foi a responsável por moldar suas visões e pensamentos políticos. “Foi uma mulher que me ensinou a pensar sobre a realidade política. E ela era comunista”, contou o Papa. A mulher atendia por Esther Balestrino de Careaga e “foi morta durante a ditadura quando foi capturada com duas freiras francesas”, reitera. 

“Ela era química, responsável pelo departamento em que trabalhava, no laboratório”, continua o Santo Padre. “Era uma comunista do Paraguai, do partido chamado Febrerista. Lembro que ela me fez ler a condenação de morte de Rosenberg! Me fez entender o que havia por trás daquela condenação. Me deu livros, todos comunistas, mas me ensinou na verdade a pensar sobre a política. Devo muito àquela mulher”, acrescentou.

Em outro trecho da obra, o Papa fala das críticas que recebe por tentar tornar a Igreja mais aberta e sonhar com uma sociedade mais equânime. “Uma vez, me falaram ‘você é comunista’. Não, os comunistas são os cristãos e foram os outros que roubaram a nossa bandeira”, disse ao escritor francês.

Francisco lamenta ainda a “rigidez” de alguns membros da Igreja, em particular aos que centram o discurso em questões de moralidade sexual, esquecendo questões sociais. Fala também numa “tentação” de uniformizar regras para situações diferentes e dá como exemplo o tema das famílias em dificuldade, abordado na sua exortação apostólica pós-sinodal ‘Amoris Laetitia’.

O pontífice sublinha que o discurso da proibição, do “não, não, não” é o mesmo que se encontra nos diálogos de Jesus com os fariseus, nos Evangelhos, deixando votos de que seja possível “ver mais além”.

Por Canção Nova, com Agências

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