Artigos › 22/03/2017

Mundo das aparências

A confusão está tanta que todos nós ficamos perdidos no meio da lama. Reina certa escuridão no cenário brasileiro. O que é apresentado diante do nosso visual não reflete a identidade do que está por trás das aparências. É a lamentável cultura da corrupção e das falcatruas, onde a desonestidade tem sido o carro chefe. A sensação é de que não sabemos para onde estamos caminhando.

A identidade dos políticos nos preocupa. A pergunta tem sido: “em quem votar na próxima eleição?”. Está diante de nós esse grande desafio, porque mesmo os de confiança são envolvidos no clima da corrupção. Talvez a única solução fosse “jogar tudo por terra”, e começar uma geração nova de políticos, que ainda não estão contaminados pela esperteza dos donos do poder e do dinheiro.

No tempo do Antigo Testamento, Davi, um humilde pastor, foi escolhido como rei para governar o povo com justiça. Ele era um indivíduo iluminado, porque confiava em Javé. Quem vive na experiência de Deus se torna uma pessoa iluminada, e age com liberdade e autenticidade, porque não tem “rabo preso”, e nada para esconder e de se envergonhar. Falta isso em nossos governantes.

As autoridades não têm sido “segundo o coração de Deus”. Por isso, poucos estão no poder por causa do povo. A política se transformou em cabide de emprego e num privilegiado caminho de ações desonestas. É como trampolim para enriquecimento ilícito, agindo de forma a ludibriar a sensibilidade da população. Aí está o país do desconforto, consequência dessas atitudes levianas.

Deus conhece perfeitamente o coração das pessoas e não se deixa conduzir pelas aparências. Nas palavras proferidas por Jesus existe um indicativo: “Muitos dos primeiros serão os últimos, e muito dos últimos, os primeiros” (Mt 19,30). Falta hoje abertura para a luz de Deus. Por isso os frutos não são de bondade, justiça e verdade. Reinam os frutos das “obras infrutuosas das trevas”.

Parece existir uma cegueira generalizada na nova cultura, que impede as pessoas de enxergar um mundo diferente daquele das simples aparências. Os olhos não miram para o pedido de Jesus, “para que todos tenham vida, e vida em abundância” (Jo 10,10). Há uma ideologia desconcertante e de “olhos tapados” produzindo um clima de “cegos guiando outros cegos” (Mt 15,14). Abramos os olhos.

Por Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba, MG

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