O Fundador

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Pierre nasceu e viveu toda sua vida em Paris. Nasceu em 15 de agosto de 1914. Morou em frente de Saint Philippe du Roule e os últimos anos de sua vida ele viveu na “Peniche” (trata-se de uma barcaça estacionada no rio Sena em Paris – ver fotos) onde faleceu em 25 de março de 1991.

Era um parisiense que se converteu aos 19 anos e se tornou um homem com um coração ardente de amor por Deus.

Um evangelizador que utilizou toda sua capacidade para levar o anúncio de Jesus a todos.

Extraído do livro le Feu et l’Espérance (Fogo e Esperança)
Por Padre Bernard Peyrous e Hervé-Marie Catta.

Nota: Em 07 de janeiro de 2010 foi oficialmente aberto o processo de beatificação de Pierre Goursat. 

2Sua conversão se deu na idade de 19 anos quando se tratava de tuberculose na planície de Assy. Um dia, ele se deu conta bruscamente de que não pensava mais em seu irmão Bernard, seu irmão caçula dois anos mais novo do que ele, que morreu repentinamente quando tinha 10 anos. Então foi como se seu irmão lhe dissesse: ” você não pensa mais em mim porque tem o coração duro e orgulhoso.”  Pierre se colocou de joelho aos pés de sua cama de enfermo e reencontrou neste instante o Cristo de uma  maneira que o iluminou por toda a sua vida. Rompeu, então, com a concepção de vida refinada e estética ligada ao seu temperamento de artista. Desde então se propôs a aprofundar sua fé, a rezar, a evangelizar, propósito este ao qual foi fiel até o fim.

3Ele coordenou uma série de ações de evangelização, juntamente com a liga do Evangelho do padre Lécailler. Alguns quiseram que ele fosse padre, mas sempre, de uma forma ou de outra, o Senhor lhe fazia escutar claramente que sua verdadeira vocação era ser adorador leigo. Durante a 2ª guerra, ele se encontrou com o cardeal Suhard, arcebispo de Paris, do qual ele se tornou íntimo. O cardeal Suhard foi um dos primeiros a perceber a descristianização da França e da necessidade de reevangelizar o país. Foi ele que confirmou Pierre em sua vocação de permanecer no mundo para aí testemunhar sua fé e aí ser um adorador da Eucaristia.

Em 1944, Pierre saiu de uma aventura perigosa graças à intervenção da Virgem Maria, como ele mesmo contara numerosas vezes. Esta foi também uma experiência espiritual. Como tinha encontrado Jesus, agora ele encontrara Maria. Praticamente todos os anos, desde então ia a Lourdes. Nesta época dedicou-se à evangelização pelos livros, revistas e a participação no Círculo Católico de Intelectuais.

Em seguida, inclinou-se para o cinema e tornou-se um grande especialista. Estava convencido que o cinema influenciava cada vez mais o comportamento  das pessoas e que era necessário que os cristãos estivessem ali também presentes. Fundou uma revista de crítica cinematográfica: tornou-se amigo e às  vezes  conselheiro  de  vários  diretores  e exerceu durante dez anos a função de secretário do Ofício Católico do Cinema. Organizou grandes debates com a apresentação de filmes. Entretanto, estava sempre doente de tuberculose e lhe acontecia de melhorar apenas para participar destes encontros.

Em 1970, aposentou-se e colocou-se a rezar nos dois pequenos cômodos do quinto andar que constituía sua pobre residência. Seu desejo ardente de anunciar Jesus o impulsionou a reunir jovens com pretextos diversos para lhes abrir à esperança de Deus. Foi assim que uma jovem se converteu quando ele leu para ela a frase de Jesus à Samaritana: “Se tu conhecesses o dom de Deus…”  Em outro momento, ele ajudou também o escritor Maurice Clavel a tomar consciência que a crise que o derrubava era uma busca de Deus. Clavel se converteu e escreveu alguns anos mais tarde um livro intitulado “Aquilo que eu creio”, que veio a ser a ocasião para a conversão de muitos.

Sem-Título-12Pierre era amigo do padre Caffarel que, depois de ter fundado as equipes de Nossa Senhora, organizou uma célebre casa de oração em Troussures. Uma jovem residente de medicina, Martine Laffitte (hoje Martine Cattá), sob os conselhos do padre, animava uma escola de oração em Paris, Rua do Cherche Midi. Martine e Pierre se conheceram em Troussures. No final do ano de 1971, Pierre ouve falar da Renovação Carismática pelo padre Regimbald. Ele falou sobre a Renovação com Martine que não entendeu nada, a não ser que ele tinha feito uma descoberta muito importante. Alguns meses depois, nos dias 11 e 12 de fevereiro de 1972, o padre Caffarel organizou um final de semana em Troussures. No decorrer do encontro, Brigitte e Xavier Le Pichon testemunham a respeito da Renovação. Ao término do final de semana, todos os participantes pediram a oração para a Efusão do Espírito.

Depois desta experiência Pierre e Martine passam a se encontrar todos os dias para rezar, estes encontros deram origem ao grupo de oração que deu origem a Comunidade Emanuel.

Em maio de 1972, o grupo de oração que ficava localizado na Rua do Cherche Midi possuía cinco pessoas. Um ano depois, ele já tinha 500, por isso foi dividido em dois. Para manter a unidade eles pediram um nome. Vários membros do grupo receberam o nome Emanuel, que foi confirmado por todos inclusive Martine e Pierre.

5Era um lugar de graças. “Nós tínhamos o sentimento de ali reviver o Pentecostes”, testemunhou Martine. Sob a intuição de Pierre, alguns membros passaram progressivamente a um engajamento mais firme. Paralelamente e misteriosamente nasceu também no seio da Comunidade Emanuel a Fraternidade de Jesus que se revelou como berço estimulador da vida e do crescimento da Comunidade.

Encorajado por Martine e pelo padre de Monléon que tinha se juntado a eles rapidamente e por Marthe Robin[1] a quem ele tinha ido consultar, Pierre aceitou a responsabilidade da Comunidade Emanuel, função esta que assumiu até 1985, quando pediu demissão voluntariamente, principalmente por causa de sua saúde debilitada.

Durante todo o tempo foi o verdadeiro inspirador do carisma da Comunidade Emanuel e de sua organização. Ele a impulsionou a evangelizar em todos os domínios e a se comprometer decididamente no mundo moderno. As graças fundamentais, a fisionomia, os estatutos da Comunidade estavam bem desenhados quando ele morreu na Peniche, no dia 25 de março de 1991. Assim este grande amigo da Virgem Maria e do Espírito Santo nasceu no dia da Assunção e morre no dia da Anunciação.

[1] Mística francesa fundadora do Foyer de Charité, que viveu presa a uma cama e durante 40 anos se alimento apenas da eucaristia e revivia todas as sextas-feiras a Paixão de Cristo. Milhares de europeus, sobretudo franceses iam até seu quarto para se consultar.

Sem-Título-16Uma comunidade, qualquer que ela seja, guarda sempre alguns traços da personalidade espiritual do seu (ou dos seus) fundador(res). Por isso é realmente importante conhecer estes traços. Pierre tinha uma rica personalidade sobre a qual nós só podemos dar aqui algumas pinceladas.

Pierre era um homem completamente dado a Deus e aos outros, sem nenhuma reserva. Desde sua conversão radical, Deus tomou imediatamente quase toda sua vida. Ele queria que o Senhor crescesse nele cada dia. Imas sto não o impedia de ser um homem com características originais, algumas delas difíceis para ele lidar. Pouco a pouco, entretanto, e particularmente no fim de sua vida, ele aprendeu a se abandonar a este Deus a quem amava e a quem tinha se dado.

Para Pierre Deus era um Deus de amor, um Deus bem próximo. Ele vivia profundamente o nome da Comunidade: Emanuel, Deus conosco. Foi ele quem relançou a mensagem de amor do Coração de Jesus em Paray-le-Monial: um chamado aos homens para que se tornassem seus amigos.

Esta proximidade com Jesus é profundamente intensa na Eucaristia. Pierre foi um adorador da Sagrada Eucaristia. Ele fez deste o carisma primeiro da Comunidade Emanuel. “Ele se consumia na adoração”, dizia monsenhor Albert-Marie de Monléon. Pierre passava horas em oração, tanto de dia como de noite. Lá, ele depositava as preocupações de todos os seus irmãos, as intenções da Igreja e, acima de tudo, intercedia pelos pecadores, como são Domingos.

Pierre, na verdade, não tinha um coração indiferente. Ele era muito presente para cada um. Tinha-se a impressão de nunca incomodá-lo. Ele acolhia com compaixão todos os sofrimentos, os chamados e as necessidades dos outros, principalmente dos seus irmãos de Comunidade. Tinha às vezes uma forte palavra de consolação para os outros. E depois ele entregava a Jesus tudo o que lhe era confiado. Adoração e compaixão caminhavam juntas.

Sem-Título-14Pierre experimentava também uma grande compaixão, por aqueles que não conheciam o Senhor. Não existe maior miséria do que a miséria espiritual. Pierre também falava sem cessar da evangelização, mesmo, e, sobretudo, com os meios mais simples e com as pessoas simples. Para ele, a Comunidade Emanuel só existia para evangelizar. Neste domínio, ele era um inventor formidável. Era realmente um visionário, mas um visionário ativo.

Outra característica dele é que ele nunca se levava a sério. Ao contrário, dizia que ele era, segundo uma expressão da escritura,  “um pobre verme”. Mas ele estava convencido de que a Comunidade era vontade de Deus, e que o Senhor se utilizava até mesmo de seus erros e de suas desventuras em favor dela.

Como Santa Terezinha, Pierre acreditava que não era preciso se prender sobre suas próprias misérias. Ele procurava fazer de tudo um grande fogo de alegria: ele convidava a não contemplar incessantemente as próprias fraquezas, mas queima-las no fogo de amor de Deus no louvor.

Ele foi uma alma de louvor. Uma das grandes alegrias de sua vida era ver seus irmãos de comunidade entrar também nesta mesma perspectiva de deixar o louvor se acender cada vez mais.

Sem-Título-10Pierre tinha uma humildade radical e simples. Por ocasião de sua morte se ouviu que ele era “um humilde fundador”, e isto é profundamente justo. Sua humildade diante de Deus e dos outros lhe dava a possibilidade de acolher as mais diferentes pessoas, mesmo as que humanamente eram contra ele. Ele ensinou isto à sua Comunidade, e esta riqueza das diferenças de idades, de origens, de tendências permaneceu sempre como um dos grandes tesouros e como uma das grandes graças da Comunidade Emanuel.

Esta humildade lhe dava uma grande capacidade de escuta do Espírito Santo. Ele colocava sua vontade completamente disponível à vontade de Deus. Muitos puderam experimentar que ele não hesitava em mudar seus projetos depois de ter rezado,  ou que ele modificava sua própria ideia quando um interlocutor lhe expunha algo de mais valor.

Sem-Título-7Enfim, Pierre era um homem muito livre. Quando o víamos, tínhamos a impressão de ver um ser extremamente original. Mas esta originalidade era o reflexo de sua liberdade interior. Ele não era coagido por nenhuma estrutura.

Profundamente tradicional, no bom sentido da palavra, não era conservador. Era preciso criar um mundo novo, era preciso ir adiante. Era preciso renovar a Igreja que ele amava apaixonadamente. Por isso, não se deixava parar por assuntos secundários e transitórios.

Mas não seríamos exatos se deixássemos de dizer que em tudo isso Pierre sempre esteve revestido de uma grande alegria: alegria da presença de Deus, alegria da ação de Deus, alegria de viver com os irmãos. Marthe Robin o confirmava dizendo-lhe um dia: “Eu vou rezar para que a Comunidade Emanuel evangelize com alegria “.

Sem-Título-8Em 2007, o Conselho da Comunidade Emanuel decide propor ao Arcebispo de Paris o julgamento da causa de beatificação de Pierre (virtudes heroicas). Em 2008, o cardeal arcebispo de Paris recebe de Roma a autorização para introdução da causa. Então, em 07 de janeiro de 2010, é aberto o processo de beatificação de Pierre Goursat.

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