Notícias › 15/09/2017

O que se deve saber sobre supostas relíquias de S. Pedro encontradas em Roma

Nos últimos dias foi divulgada a notícia em diversos meios de comunicação e nas redes sociais da aparição de supostos ossos do apóstolo São Pedro durante as obras de restauração da igreja de Santa Maria em Cappella, em Roma.

Segundo informaram diversos meios, durante os trabalhos realizados nesta igreja do bairro romano de Trastevere, atrás de um altar medieval apareceram pequenas urnas de barro e dentro delas havia restos ósseos.

Em uma dessas urnas estava escrito o nome de São Pedro junto com os nomes do Papa Cornélio, Calixto e Félix.

De acordo com as investigações arqueológicas, os restos encontrados provavelmente vieram originalmente de algumas catacumbas localizadas nos arredores da cidade de Roma.

Entretanto, não há nenhuma evidência científica que autentifique esses restos: os verdadeiros restos do primeiro Bispo de Roma continuam sendo os que são venerados na Basílica de São Pedro, no Vaticano.

As catacumbas eram lugares onde os cristãos romanos dos primeiros séculos depois de Cristo eram enterrados. Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, não eram lugares secretos, nem lugares onde celebravam Missas para impedir a perseguição da antiga Roma imperial.

Os antigos romanos pagãos respeitavam a morte e inclusive a adoravam, por isso, embora o cristianismo fosse proibido pelas autoridades imperiais, era permitido o enterro dos cristãos e respeitavam suas necrópoles. Em todo caso, os primeiros cristãos celebraram a Missa nas Domus Eclessiae, não nas catacumbas.

Por isso, os primeiros mártires e os primeiros Papas foram enterrados nas catacumbas como as de São Calixto ou as de São Sebastião, localizadas na Via Appia Antica que ligava o centro da Roma Imperial ao porto de Ostia.

Somente depois da invasão dos povos bárbaros, a partir do século IV, e especialmente no século V, Roma já era oficialmente um império cristão, a Igreja começou a transladar os restos dos mártires e Papas a igrejas do interior da cidade a fim de proteger melhor as relíquias.

Portanto, é muito provável que os restos encontrados em Trastevere tivessem essa origem. Esta interpretação é reforçada pelo fato de que os arqueólogos colocaram a data nessas urnas onde esses restos estão conservados por volta do século XI, data da construção da atual igreja Santa Maria, em Cappella.

Por outro lado, as inscrições não precisam necessariamente indicar a identidade da pessoa venerada. Nas catacumbas de São Sebastião, por exemplo, também foram encontradas as lápides com os nomes de São Pedro, São Paulo e outros apóstolos. E isso não significa que esses túmulos acolheram as relíquias dos apóstolos, mas era uma maneira de pedir a sua intercessão pela alma da pessoa que está enterrada lá.

O túmulo de São Pedro no Vaticano

A Igreja Católica, a partir das numerosas investigações que foram realizadas, localiza as verdadeiras relíquias do apóstolo Pedro na necrópole situada sob a Basílica do Vaticano.

O lugar no qual se encontra atualmente a Praça e a Basílica de São Pedro do Vaticano era, no século I da era cristã, um grande espaço aberto localizado do lado de fora dos muros da Roma imperial. Ali as famílias mais ricas de Roma tinham construído um cemitério, uma necrópole pagã para acolher os restos dos seus falecidos.

Ao lado da necrópole, havia um circo construído por Nero, um circo que, ao contrário do Circo Máximo, era usado exclusivamente para os acontecimentos do imperador.

Este tipo de monumentos lúdicos privados era comum na antiga Roma. Assim, hoje podem ser visitados dois: o Estádio do Palatino e o circo de Massenzio.

Nesse circo construído por Nero na montanha do Vaticano é onde, segundo a tradição, São Pedro morreu martirizado no ano 67. Posteriormente, seu corpo foi enterrado na necrópole localizada na mesma montanha.

Como lembrança daquele circo, o obelisco que o presidia foi colocado no centro da atual Praça de São Pedro, onde ainda permanece.

A memória do túmulo de São Pedro foi conservada viva na primeira comunidade cristã de Roma e, durante os primeiros séculos do cristianismo, antes da construção das primeiras catacumbas, muitos cristãos foram enterrados na necrópole vaticana, colocando os seus túmulos ao redor do de São Pedro.

Assim, o imperador Constantino, o primeiro imperador cristão, ordenou construir a basílica primitiva de São Pedro, atualmente desaparecida, em cima da necrópole e com o túmulo do apóstolo localizado sob o cruzeiro da Basílica, estrutura que hoje é conservada na atual Basílica barroca. O túmulo de Pedro está localizado exatamente embaixo do baldaquino de bronze construído por Bernini.

Com o desaparecimento da Basílica constantiniana e com a construção da atual nos séculos XV, XVI e XVII, foi fechado o acesso ao túmulo, assim a sua memória se perdeu e inclusive foi questionada a veracidade da sua existência na montanha vaticana.

Para terminar o debate sobre a existência ou não dos restos de São Pedro no Vaticano, o Papa Pio XII promoveu uma grande escavação arqueológica no subsolo da Basílica em 1940, que foi concluída pelo Papa Paulo VI.

Esta expedição permitiu a redescoberta dos restos da Basílica construída por Constantino e, em um segundo nível, a necrópole romana em um estado de conservação que surpreendeu os arqueólogos da época.

Ali, entre os luxuosos panteões das famílias patrícias romanas pagãs, estavam os restos de um antigo monumento funerário vazio situado no centro de uma série de enterros sem dúvida cristãos.

O monumento funerário tem vários grafites cristãos, o que indicou que pertenceu a um importante mártir cristão. A inscrição “Aqui está Pedro”, indicava a sua identidade.

É em cima deste monumento onde, em uma estrutura da época da Basílica constantiniana foi encontrada uma urna, com uma série de restos ósseos enrolados em um pano de púrpura, cor dos imperadores romanos, mas também dos mártires cristãos. Os ossos, como consequência do pano que os envolvia, estavam manchados de vermelho.

Foi quando a Igreja anunciou ao mundo a aparição e a identificação do túmulo de São Pedro. Investigações posteriores dos restos revelaram que, embora seja impossível atribuir esses restos a uma pessoa concreta com 100% de certeza, poderia ser certificado que pertenceram a um homem que viveu no primeiro século do cristianismo e com características físicas semelhantes às que foram atribuídas a São Pedro.

Os restos de São Pedro podem ser visitados atualmente na necrópole do Vaticano, aberta ao público.

Por ACI Digital

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