Comunidade Emanuel do Brasil

Liberdade acorrentada, uma reflexão sobre a liberdade interior

Imagine uma situação em que você possa escolher entre os dois cenários a seguir: viver em cativeiro total por 20 anos e depois morrer; ou viver em liberdade por um ano, após o qual a morte o espera. O que você escolheria? Sua resposta provavelmente dependeria de como você percebe a liberdade – o que ela representa e o que ela contém. Portanto, é importante começar por definir corretamente o significado dos termos de que estamos falando.

No Catecismo da Igreja Católica, podemos encontrar a seguinte definição: “Liberdade é poder, enraizado na razão e na vontade, de agir ou não agir, de fazer isto ou aquilo, de posar assim por ações auto deliberadas. Através do livre arbítrio, cada um tem o seu. A liberdade é no homem uma força de crescimento e amadurecimento na verdade e na bondade. A liberdade atinge sua perfeição quando é ordenada a Deus, nossa bem-aventurança.” (CIC 1731).

A liberdade tem duas polaridades. Podemos falar de liberdade interior ou exterior. A liberdade exterior implica uma vida sem cativeiro físico, uma vida sem escravidão, uma vida em que podemos nos expressar livremente, nos mover e agir livremente sem colocar os outros em perigo. A liberdade interior buscará muito mais profundamente, ao coração de nosso ser. Não ter liberdade interior significa ser privado de todo controle sobre nossos pensamentos. A liberdade interior permite que a mente, vontade e pensamentos sejam envolvidos no manto da independência e se desenvolvam participando da fonte da verdade e do bem.

Todos os dias, a palavra “mágica” liberdade está nos lábios do mundo hoje. Essa “magia” se manifesta no fato de que a liberdade é divinizada. É como se a liberdade se tornasse um deus hoje. É precisamente neste mundo que glorifica a liberdade diária que existe a menor liberdade. Que paradoxo! Embora nos sejam oferecidos diferentes tipos de liberdade diariamente, a liberdade real e verdadeira não é mais oferecida. As vitrines dos depósitos espirituais do mundo não oferecem a verdadeira liberdade há muito tempo, mas tentam nos conquistar com “novas” liberdades. Obviamente, a verdadeira liberdade não está mais na moda. Cada estação traz consigo uma nova moda, e ninguém se pergunta sobre o passado. Foi, então aconteceu. E não falamos mais sobre como se tornar antiquado e lentamente cair no esquecimento. O Espírito de Deus, onipresente neste mundo há tanto tempo, com mais ou menos intensidade, há muito caiu no esquecimento. Então vieram outros espíritos, que nós mesmos convocamos rejeitando o Espírito de Deus. Finalmente, declaramos Deus morto (Nietzsche) e procedemos ao seu enterro. Porém, quando a sepultura já havia sido cavada, percebemos que o Espírito não poderia ser enterrado, precisamente porque a mente não tem corpo, então nós mesmos caímos naquele buraco vazio da morte, do qual não há como escapar. No vazio da escuridão, começamos a clamar por ajuda de novos espíritos, mas eles apenas nos “ajudaram” enterrando-nos mais profundamente. Percebemos tarde demais que nenhum outro espírito pode satisfazer os desejos de nossos corações, exceto o Espírito Santo que vem de Deus.

Ao rejeitar o Espírito de Deus, rejeitamos a verdadeira liberdade. Assim, inventamos e adotamos novas formas de liberdade. Todos os dias somos confrontados com uma ampla gama de opções de várias liberdades. Hoje, todos podem escolher a liberdade que melhor lhes convém. Somos nós que escolhemos, que determinamos o quê e como – pelo menos é disso que os espíritos deste mundo nos convencem. No entanto, esquecemos que a própria possibilidade de escolher a liberdade que queremos é condicionada pela escolha dessas mesmas liberdades por outra pessoa. Em outras palavras, alguém antes de nós já estabeleceu uma escolha de liberdades que agora nos oferece como nossa livre escolha. Essa compreensão da liberdade não é contrária ao seu verdadeiro significado?

Voltemos à nossa questão original de escolha. Ao final dos dois cenários propostos, existe a morte e é violento. A escolha oferecida está predestinada pela data da morte. Ao mesmo tempo, a escolha oferecida parece impossível e intangível para nós. Quem é esse alguém (ou algo) que nos obriga a fazer a escolha proposta? Talvez seja mais importante questionar o próprio espírito da fonte da escolha proposta do que os dois cenários mencionados que fluem dessa fonte. Só porque alguém nos ofereceu uma escolha não significa que somos realmente livres para escolher. E é exatamente a isso que reduzimos a liberdade hoje – a questão da escolha. Escolher é, portanto, ser livre. Nós degradamos a liberdade ao rebaixá-la aos seus ramos mais baixos, em seguida, reduzindo-o a um único segmento – o direito de escolha. Destruímos toda a árvore com todos os seus frutos apenas por causa de um galho.” Porque a árvore se conhece pelo seu fruto” (Mt 12,33), e não pelo ramo cortado que seca. Tal ramo não pode dar frutos, mas quando deixado sozinho, ele perece e desaparece no pó.

Precisamos entender o seguinte: Somente Deus é capaz de nos dar a escolha certa – aquela entre a vida e a morte. Esta é a verdadeira liberdade que vem Dele. Porque ao escolher a vida, escolhemos Deus, e ao escolher a morte, rejeitamos Deus. Em vez disso, a liberdade humana só nos dá uma escolha em uma polaridade – a morte. Existe apenas uma porta que conduz à vida e apenas um caminho que devemos percorrer. Só existe um que é tudo em todos, que é a plenitude do ser, o Caminho, a Verdade e a Vida. Não há liberdade real fora de Jesus Cristo – tudo o mais é uma ilusão. “É para que possamos ser livres que Cristo nos libertou. Então espere, não se coloque sob o jugo da escravidão novamente.” (Gálatas 5, 1).

Fonte: https://emmanuel.info/liberte-enchainee-esm-rome/

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