Comunidade Emanuel do Brasil

Artigos › 26/02/2020

Quarta-feira de cinzas – o mistério do “cristão-fênix”

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O cristão que entra na Quaresma tem tanto orgulho de si quanto a fênix tem orgulho de suas penas, cores e porte altivo. E então, de repente, sobrecarregado pelo seu pecado, ele desaparece em meio à fumaça. Renascendo, ele precisa recomeçar, como se algo lhe escapasse, como se uma rachadura em seu ser o impedisse de ser eterno.

Quando o amor da fênix se transforma em orgulho

O cristão pode se considerar orgulhoso por ser cristão. O tempo pode não mais apagar aquilo que custa caro. Corneille (escritor francês) fez Polyeucte (Peça teatral) dizer: “Um cristão não tem medo de nada, não esconde nada: aos olhos de todos, ele sempre é cristão“. O cristão tem o seu olhar atraído pela beleza das cores da vida. Ele acaricia as plumas da pureza de seu coração, ele tem orgulho de si mesmo, que foi salvo sem mérito algum, mas que sabe que é amado. Se Cristo é o único salvador dos homens, não vemos o porque não podemos dizer que todos nós precisamos da salvação e que sofremos por não saber disso.

No entanto, o amor próprio da fênix pode se transformar em orgulho. É quando o belo pássaro desaparece carbonizado. O cristão derrapa no orgulho, não por não por se considerara muito orgulhoso de sua fé, mas quando reduz a graça ao simples querer da natureza, a exigência espiritual em defesa de uma cultura. O orgulho é a raiz do pecado, mas acima de tudo é a loucura de acreditar que é possível ser cristão sem colocar as suas bases em Cristo. A combustão do cristão é a secularização. O monte de cinzas é o resultado fatal de seu erro, que pode, no entanto, se transformar em penitência, especialmente nesta quarta-feira de cinzas.

O cristão, uma fênix perdoada que ressuscita com o Senhor

A fênix renasce do seu monte de cinzas. Como ela foi capaz de fazer isso com as suas próprias forças? Para nascer, é preciso ser gerado. Ninguém pode dar vida a si mesmo, só é possível recebê-la. A fênix que renasce como se nada tivesse acontecido é como o cristão que deve tudo ao seu Senhor e que foi perdoado. Somente a graça dá a vida e assim o perdão é recebido. É impossível dar a si mesmo as condições de seu perdão, pretendendo um acordo negociado com Deus.

O perdão é incondicional, mas podemos ouvi-lo pela voz humana do sacerdote, como no Evangelho, pela voz humana de Jesus. “Somente Deus pode perdoar pecados”, objetaram os judeus; mais uma razão para esperar tudo do perdão sacramental, aquele que vem de Deus.

Por Irmão Thierry-Dominique Humbrech, via Aleteia

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