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Notícias › 31/10/2019

Troca de imagens da Virgem de Luján fortalece paz entre Argentina e Inglaterra

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O pedido para que fosse realizada uma troca de imagens da Virgem de Luján, padroeira da Argentina, havia sido apresentado em 2018 por Dom Santiago Olivera – ordinário militar do país latino-americano – ao seu homólogo na Grã Bretanha recém nomeado, Dom Paul James Mason, como um gesto de reconciliação entre os dois países que combateram durante o conflito das Falkland-Malvinas, entre abril e junho de 1982, e que provocou mais de 900 mortes. A troca foi realizada na manhã desta quarta-feira na Praça São Pedro na presença do Papa Francisco, que abençoou as duas imagens.

Da Argentina para a Inglaterra, passando pelas Malvinas

A cópia similar a imagem original que o Dom Mason restituiu a Dom Olivera havia sido levada para as Falkland-Malvinas pelas tropas argentinas que, após a invasão das ilhas, a colocaram na Igreja de St. Mary, na capital Port Stanley.

Mais tarde, com a derrota e a retirada dos argentinos, os militares britânicos a levaram para Aldershot, na Inglaterra, colocando-a na Igreja do Ordinariato Militar Britânico, a Catedral católica de São Miguel e São Jorge. E ali permaneceu em um local de oração pelos caídos de ambos os lados. A partir desta quarta-feira, esta cópia semelhante da imagem da Virgem, retornará para a Argentina e, em troca, o ordinário argentino deu outra a Dom Mason, para ser levada à Inglaterra.

Sinal de comunhão

Em uma declaração da Conferência Episcopal do Reino Unido com a data de 27 de setembro, onde anuncia a iniciativa, Dom James Mason relata como se chegou a este momento.

“Foi uma história intrigante que me envolveu – escreve ele – assim que fui nomeado Ordinário Militar. Imediatamente entendi que se tratava de uma boa oportunidade, não somente para restituir a estátua, mas também para demonstrar uma comunhão de fé entre dois países que viveram a divisão política. Encontrei o bispo Santiago para discutir a devolução da imagem – explica ainda monsenhor Mason – e não vejo a hora de encontrá-lo novamente em Roma em outubro para a troca, quando o Santo Padre abençoará as duas estátuas”.

O conflito nas Malvinas

A guerra das Malvinas foi travada entre a Argentina e o Reino Unido pelo controle e posse das Ilhas Falkland. A ofensiva argentina pegou de surpresa o Reino Unido que imediatamente organizou uma força-tarefa naval para repelir as tropas argentinas que haviam ocupado os arquipélagos. Após pesados ​​combates, os britânicos prevaleceram e as ilhas retornaram ao controle do Reino Unido.

A história da Virgem de Luján e do escravo Manuel

A imagem original da Virgem, também chamada com os títulos de Morenita e Patroncita, está na Basílica de Luján, 68 km a noroeste de Buenos Aires. Sua chegada à Argentina remonta a maio de 1630, em um navio que partiu de São Paulo.

Ela foi acompanhada por Manuel, um escravo angolano. A pequena estátua de terracota deveria ser um presente do capitão Juan Andrea a seu amigo Antonio Farías Sáa, morador de Sumampa.

A tradição conta que a carroça que transportava a caixa com a Virgem, ao chegar ao rio de Luján, não podia mais continuar, tanto que precisou ser descarregada. A estatueta assim acabou ficando em Luján, cuidada por Manuel, que construiu para ela a primeira capela.

Logo a história milagrosa do ícone se espalhou e numerosos peregrinos começaram a peregrinar ao local. “Não tenho outra Senhora senão a Virgem”, dizia Manuel, cujos restos mortais repousam na atual Basílica, aos pés da Virgem.

Papa Leão XIII coroa a “Patroncita”

Mais tarde, a devoção à Virgem de Luján foi promovida pelo padre Jorge Maria Salvaire, grande evangelizador dos nativos. Foi ele quem convenceu o Papa Leão XIII a conceder a coroação do ícone, que foi celebrada em maio de 1887.

O Papa também estabeleceu um Ofício e uma Missa próprios para a festa da Virgem de Lujan, fixada para o sábado precedente ao quarto domingo depois da Páscoa. E foi precisamente padre Salvaire quem iniciou a construção da atual basílica, que recebe, em média, anualmente, 9 milhões de visitantes, não apenas da Argentina.

Quando era bispo de Buenos Aires, o Papa Francisco costumava peregrinar a Luján, acompanhado pelos fiéis, e ficava horas no Santuário atendendo confissões, especialmente de jovens, que lá chegavam.

Via Vatican News

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