Comunidade Emanuel do Brasil

Um testemunho de fé e amor através da vida consagrada

Maria Martha, brasileira, consagrada no celibato pelo Reino de Deus no seio da Comunidade Emanuel nos conta um pouco da sua história e experiência na sua vocação.

Meu nome é Maria Martha eu me converti com a idade de 16 anos. Eu me sentia sozinha e achava que
ninguém me amava. Então me levaram para frequentar um grupo de oração e com ajuda deste grupo eu
descobri o amor pessoal de Deus por mim. Com este Amor minha vida mudou totalmente, eu pude abrir meu coração e assim pude fazer muitos amigos entre os jovens do grupo de oração com quem vivi muitas
experiências inesquecíveis.

Uns dez anos depois eu comecei a rezar pedindo a Deus um marido. Eu queria muito me casar e ter filhos. Rezei por muito tempo e foi neste contexto que eu comecei sentir no coração uma vontade de dar minha vida inteira a Deus. Eu hesitei por um ano, porque um lado eu queria entregar minha vida a Deus e outro lado queria me casar. Havia momentos que eu acreditava que eu podia fazer as duas coisas, o que de fato é uma possibilidade, já que muitos casais vivem uma doação muitas vezes maior do que a minha, mas havia momentos que eu sentia que Deus queria algo diferente para mim, e eu não conseguia silenciar a voz que gritava dentro de mim.

Então um dia, durante um encontro, Deus me fez compreender duas coisas. A primeira é a que Ele de fato me chamava à vida consagrada, mas que a resposta dependia da minha liberdade de dizer sim. Ou seja, se eu quisesse me casar, Ele continuaria a me amar e poderia continuar meu caminho com Ele.

Então na alegria de me sentir livre eu disse sim, e nunca me arrependi. Deus nunca prometeu uma vida fácil, Ele sempre foi muito honesto comigo. Eu sempre soube que minha vida não seria fácil. Mas Ele me fez uma promessa que tem sido preciosa em minha vida. Ele prometeu que estaria todos os dias comigo. E isso é que tem me sustentado.

E esta é a graça que vivemos na Comunidade Emanuel, que eu conheci um pouco depois de ter tomado esta decisão. Pertencer à Comunidade Emanuel é viver a cada dia, no cotidiano simples da vida, na presença do Senhor, que nos ama de maneira pessoal e única, seja qual for nosso estado de vida. Poder viver isso e anunciar ao mundo esta graça é a razão de nossa alegria. Porque somente acolhendo e saboreando na simplicidade do dia a dia o Amor de Deus é que podemos avançar na santidade a qual somos chamados para um dia podermos entrar na Presença Daquele que nos criou por amor e no amor.

Pierre Goursat, fundador da Comunidade Emanuel sempre dizia, antes de tudo, um pequeno louvor, parece simples, e é na verdade. Mas é um primeiro passo que permite, a todos estados de vida, principalmente para nós, que recebemos a graça de viver o celibato pelo Reino no seio da Comunidade Emanuel, entrar no cotidiano da vida com o Emanuel.

O segundo passo é encontrar, segundo as possibilidades de sua vida pessoal, um bom tempo para silenciar e escutar o Senhor, preferencialmente diante do Santíssimo, mas se não for possível, com a ajuda da Sagrada Escritura, podemos silenciar e escutar o Senhor.

O ano de 2020 foi difícil para todo mundo, para mim não foi diferente. Além de estar desempregada, fui
diagnosticada com câncer no seio e precisei operar e passar por um percurso de quimioterapia e radioterapia.

Ter que ficar confinada isolada em minha casa, sem poder ir à missa, sem poder visitar minha família e tendo que viver todos os sofrimentos que este tratamento trás, teria sido terrível, se eu não tivesse Deus ao meu lado, na oração simples de cada dia e na solidariedade de meus irmãos, que respeitando a necessidade de eu me manter isolada, me ajudaram rezando por mim, partilhando na maisonnée via internet e me ajudando com compras, sempre que necessário, para que eu não precisasse sair.

Sempre foi muito consolador, vê-los entregar na porta do meu apartamento as compras, sem se aproximarem, mantendo uma distância segura com a ajuda da máscara e bater uma rápida conversa, me ajudou muito avançar na paz e na serenidade.

Tem um versículo, no livro do Apocalipse que retrata muito a graça que a Comunidade Emanuel é para mim: “Eu João, vosso irmão e companheiro na tribulação, na realeza e na perseverança em Jesus…”. (Apoc 1, 9). São João estava preso na Ilha de Patmos, bem distante fisicamente dos irmãos, mas ao mesmo tempo estava próximo deles, porque ele se preocupava com os irmãos e rezava por eles. Isso é ser Emanuel, fazemos o que podemos por nossos irmãos, mas sabemos que somos pobres e podemos fazer pouco, então simplesmente rezamos e pedimos ao Senhor que venha em nosso socorro.

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