Comunidade Emanuel do Brasil

Virtudes: O objetivo da vida virtuosa é tornar-se semelhante a Deus

Ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, tudo o que há de louvável, honroso, virtuoso ou de qualquer modo mereça louvor” (Fl 4,8)

De acordo com o Catecismo da Igreja Católica, CIC 1803: A virtude é uma disposição habitual e firme para fazer o bem. Permite à pessoa não só praticar atos bons, mas dar o melhor de si. Com todas as suas forças sensíveis e espirituais, a pessoa virtuosa tende o bem, procura-o e escolhe-o na prática. 

Todo cristão é convidado a colocar em prática as virtudes humanas e teologais. A busca pelas virtudes deve ser contínua, o que não é fácil, por isso separamos alguns passos para ajudar você na busca de uma virtude indispensável, a virtude da prudência, trechos do livro “A conquista das virtudes” de Francisco Faus: 

 

A virtude da prudência 

Francisco Faus nos aponta que durante séculos, a prudência foi identificada “com a sabedoria da vida”.

Ser prudente é agir de modo “pensado”, racional, não instintivo ou inconsciente.

A prudência é a virtude-guia da vida.

A maior imprudência da vida não é atravessar uma avenida movimentada quando o semáforo está vermelho, é ser superficial:

  • Ir no embalo: viver na inércia.
  • Deixar rédeas da vida nas mãos das emoções e das paixões: ira, raiva, inveja, amor-próprio orgulhoso, ambição egoísta… ou do sentimentalismo irracional: p.ex., moleza sentimental na educação dos filhos.
  • Largar-se nas mãos dos desejos, procurando falsas razões para justificar aquilo que desejamos, em prejuízo do que é um bem, um dever verdadeiro e certo.
  • Decidir movidos  pelos nervos e pela pressa: afobação, precipitação, e-mails mal pensados…

O Compêndio do Catecismo da Igreja católica diz: “A prudência dispõe a razão a discernir, em cada circunstância, o nosso verdadeiro bem e escolher os meios adequados para o pôr em prática. Ela guia as outras virtudes, indicando-lhe regra e medida”. (n. 380)

A decisão prudente, segundo Santo Tomás, se realiza dando três passos: reflexão, juízo e decisão.

1° Passo: Reflexão: 

  1. Vencer a preguiça de pensar. É a preguiça que nos vence, quando dizemos, antes de ter refletido sobre um problema: ”deixa”, “estou cansado”, “não me aborreça”…
  2. Ter tempo para pensar sobre a vida e as coisas da vida: momentos concretos, fixos, habituais, de meditação, de oração, de exame de consciência.
  3. Cultivar o hábito de ler, que facilita o hábito de pensar.
  4. Saber usar da memória: para aproveitar a experiência e retificar os seus erros.
  5. Ser humildes: pedir luz a Deus e ao Espírito Santo;

2° Passo: Juízo, avaliação

  1. Fazer um juízo de valor: enxergar o que é, no caso, moralmente melhor ou, pleo menos, bom. São Paulo pedia aos Romanos empenho em discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito (Rm 12,2).
  2. Captar o ponto equilibrado do bem a realizar: não ficar nem abaixo desse ponto nem pecar por excesso (p.ex., é bom ser amável e conversar com os colegas, mas é errado gastar muito tempo em conversas inúteis). 
  3. Julgar com clareza quais são as “prioridades”, utilizando não só a razão, mas a razão iluminada pela fé (Deus é uma prioridade que não pode ser rebaixada). 
  4. Fazer juízos acertados sobre os “meios” eficazes a serem empregados. Definir bem o “que”, o “como”, e o “quando”.

3° Passo: Decisão

Santo Tomás ensina que a virtude exige “transformar o conhecimento verdadeiro em decisão prudente”, e dá esta regra de ouro: “O homem prudente é lento na reflexão e rápido na execução”. Isto exige:

  1. Vencer o comodismo e o medo de que não dê certo.
  2. Não cair na cautela medrosa.
  3. Finalmente, a constância no esforço, ainda que custe muito (com luta e o decorrer do tempo, custará menos).

Fontes:
A conquista das virtudes, Francisco Faus;
Bíblia de Jerusalém;
Catecismo da Igreja Católica.

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